domingo, 29 de junho de 2014

Informar ou não informar, eis a questão

Sua família tem histórico de uma doença genética e hereditária e você decide investigar se também tem chance de desenvolver o mesmo mal. O médico lhe orienta a fazer um teste de mapeamento do DNA em busca de mutações que indiquem o seu risco. No mesmo exame ou com análises complementares é possível ver marcadores para outras doenças. Você gostaria de saber que outros riscos está correndo? O médico tem o dever de te informar? Ele pode investigar outras doenças sem que você tenha pedido?
Essas perguntas ficarão cada vez mais rotineiras com a popularização de testes para detectar indícios genéticos associados a doenças neurodegenerativas, câncer, complicações cardiovasculares e outras. 
A partir de material genético de um indivíduo em amostras de sangue ou saliva, esses testes conseguem identificar falhas e erros na ordem de suas bases nitrogenadas – as ‘letras’ que compõem o DNA. A troca ou o sumiço de uma dessas ‘letras’ em determinados genes indica um risco de desenvolver certas doenças que pode ser passado de pais para filhos.
Apesar de ainda serem caros e não estarem disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) – com a exceção de alguns hospitais universitários –, tais exames podem ser feitos, com prescrição médica, em laboratórios brasileiros, muitos dos quais são cobertos pelos planos de saúde particulares.
Não existe no país regulamentação sobre testes genéticos com fins diagnósticos
Ainda assim, não existe no país regulamentação sobre como os geneticistas, médicos e laboratórios devem proceder em relação a testes genéticos com fins diagnósticos. Há apenas recomendações daAssociação Médica Brasileira e umaresolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) sobre pesquisas genéticas, que não inclui o uso dos testes na clínica médica. Na falta de diretrizes próprias, exemplos de outros países podem ser uma alternativa para a discussão.

domingo, 15 de junho de 2014

Está sendo proposto nos Estados Unidos um projeto de lei que obriga os laboratórios a entregarem resultados diretamente aos pacientes quando solicitado, o que está causando uma onda de discordância por parte de médicos, hospitais e dos próprios laboratórios.
O projeto não prevê a obrigatoriedade de os laboratórios garantirem que o médico veja os resultados primeiro, para que possa explicá-los ao paciente. A proposta, ao dizer que os pacientes deveriam ter acesso a todos os resultados, também não distingue entre exames de rotina com resultados normais de resultados que poderiam ser diagnósticos de doenças sérias.
O argumento dos médicos é que se fizermos muitos testes em pessoas saudáveis, a probabilidade de que algum resultado seja “não normal” é muito grande, e isso pode causar insegurança nos pacientes que interpretarem mal dados não significativos. Ao mesmo tempo, essa insegurança abala a confiança da relação médico-paciente, uma vez que a palavra do médico chega em resposta à insegurança do paciente, e não como uma boa notícia desde o início. Além disso, médicos afirmam que, mesmo que os resultados sejam realmente “não normais”, a melhor maneira de um paciente receber esse tipo de notícia não é abrindo um envelope, sozinho.
Uma alternativa proposta pelo vice-presidente executivo da American Medical Association é que os resultados dos exames venham acompanhados de um aviso que diga aos pacientes que procurem seus médicos de confiança para obter ajuda na interpretação dos dados, bem como explicitando as limitações dos testes de laboratório em termos de diagnosticar doenças sem a interpretação de um profissional que considere mais fatores de cada caso.
Fonte:http://www.scientific.com.br/2011/12/20/pacientes-devem-ter-acesso-direto-a-resultados-de-exames-laboratoriais/

sábado, 7 de junho de 2014

Proposta sobre o acesso a testes de laboratório devem ser revistos, dizem os médicos

 A AMA e outras organizações médicas apontam que os pacientes precisam de ajuda interpretação de resultados


Proposta regras federais que substituem as leis em 20 estados e exigem laboratórios para enviar os resultados dos testes diretamente aos pacientes mediante solicitação desenhou uma série de objeções de organizações de médicos, laboratórios e hospitais.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos proposta, apresentada em setembro, não necessita de laboratórios para assegurar que os médicos obter resultados de testes antes que os pacientes para que eles possam ajudá-los a entender os resultados. A proposta também não faz distinção entre os resultados dos testes de rotina e aqueles que entregar a notícia de um diagnóstico potencialmente alterando a vida, dizendo que os pacientes devem ter acesso direto a todos os resultados do teste.
A proposta de regulamento pode levar a confusão paciente e prejudicar as relações com o médico, disse Glen Stream, MD, presidente da Academia Americana de Médicos de Família.
"Se você fizer testes suficientes sobre qualquer pessoa saudável, alguns deles vão ser anormal, por isso uma preocupação é que as pessoas vão interpretar mal valores insignificantes", disse Dr. Stream, um médico de família a partir de Spokane, Washington "Isso cria apreensão indevida por parte do paciente, e aqui do médico dizendo-lhes: "Você não precisa se preocupar com isso." Isso cria uma incerteza nessa relação médico-paciente. Quanto maior preocupação é que o resultado pode ser verdadeiramente anormal, mas olhando-se que resultar-se como um paciente não é o caminho para obter potencialmente más notícias. "
Estas preocupações foram ecoadas em observações apresentadas pelo American Medical Association, do American College of Physicians e da Academia Americana de Pediatria. Eles chamaram por algum tipo de renúncia ligado a resultados de laboratório para informar os pacientes que eles devem consultar o médico ordenação para a interpretação.
"Lab informa ... deve conter linguagem padrão enfatizando tanto as limitações dos dados de laboratório sozinho em confirmar ou excluir o diagnóstico, bem como a importância de o paciente discutir os seus resultados de laboratório com seu médico", AMA Vice-Presidente Executivo e CEO James L . Madara, MD, disse em um comentário enviado em 10 de novembro. "A parte crítica do processo de testes de laboratório e resultados é a comunicação médico-paciente."
Muitos grupos comerciais que representam os laboratórios clínicos pediu ao governo para adicionar esse tipo de linguagem disclaimer, temendo exposição passiva de pacientes que erroneamente interpretam seus resultados e sofrem conseqüências adversas. Os laboratórios, juntamente com os hospitais que operam instalações de laboratório, perguntou HHS para o tempo extra para cumprir com eventuais novas exigências.
Os laboratórios também pediu orientações sobre como verificar a identidade dos pacientes, antes de entregar o resultado. HHS estima a regra afetará mais de 22.000 laboratórios, 6,1 milhões de exames e impor $ 56 milhões no custo anual de conformidade laboratório.

Médicos querem resultados do primeiro

No comentário da AMA, Dr. Madara disse laboratórios devem ser obrigados a dar resultados aos médicos, pelo menos, ao mesmo tempo em que dá-los a pacientes. Muitos dos 90 comentários a HHS pediu um intervalo de tempo entre quando os médicos recebem os resultados e quando os pacientes fazem.
"Eu acho que ter um intervalo de tempo é muito importante, porque, em seguida, os médicos têm tempo suficiente para resolver o problema antes de esperar o chamado de um paciente", disse Hardeep Singh, MD, MPH, professor assistente de medicina na Faculdade de Medicina Baylor, em Houston.
De acordo com a 28 de setembro de 2009, Archives of Internal Medicineestudo co-escrito pelo Dr. Singh, médicos escritório-baseados não conseguem acompanhar o teste anormal clinicamente significativa resulta de 7,7% do tempo.
Dr. Singh disse que é difícil prever se a proposta HHS iria melhorar a segurança do paciente. Ele co-escreveu um comentário de linha sobre a regra, publicado em 28 de novembro, em The Journal of the American Medical Association.
Uma das premissas do regulamento é que ele vai ajudar a evitar que os resultados dos testes não atendidas, mas ele disse que não poderia acontecer.
"Sabemos que, se deixar isso para pacientes que então eles vão agir mais e ser mais pró-ativa?" disse ele, observando que alguns dos pacientes que já têm acesso aos resultados do teste por meio de sistemas de registos de saúde pessoal usar a funcionalidade.
HHS está examinando os comentários e, caso decida prosseguir com o processo de regulamentação, vai emitir uma regra final que leva os comentários em consideração. Nenhuma data foi anunciada a respeito de quando a regra final possa ser emitido.

Fonte:http://www.amednews.com/article/20111212/profession/312129937/6/

domingo, 1 de junho de 2014

Reportagem do Jornal Hoje sobre interpretação precipitada de exames

Pacientes devem ter cuidado ao interpretar exames

Eles têm o direito de olhar o resultado antes de apresentá-lo ao médico, mas não devem se precipitar para não se confundir com o laudo.


O paciente tem o direito de olhar o resultado de exames antes de voltar e apresentá-los ao médico. Alguns médicos dão bronca porque há pacientes que ficam interpretando o resultado. Mas o exame é do paciente e ele pode e tem o direito de abri-lo, só é preciso muito cuidado na hora de interpretá-lo, papel que cabe ao médico. 

Em São Paulo, para garantir esse direito, um laboratório passou a gravar os laudos em áudio para que os pacientes cegos possam saber o resultado sem ter que pedir ajuda. 

A voz da médica lendo o resultado do exame é gravada. Ela não comenta os dados, apenas reproduz o que está escrito. O laudo em áudio é gravado em um CD para o paciente. A novidade é de um laboratório paulista que faz, em média, 1,7 milhões exames por mês. 

“A nossa intenção era a inclusão social, era dar a oportunidade ao paciente que tem uma deficiência visual de ter acesso aos seus laudos de uma forma individual, sem depender de ninguém para ajudá-lo a fazer essa leitura”, explica a patologista clínica do laboratório Delboni, Ana Letícia de Aquino Daher. 

Ter acesso aos resultados dos exames é um direito de cada um, mas os médicos dizem que os pacientes mais curiosos precisam ter cuidado. A interpretação dos laudos é importante e deve ser feita por um especialista. 

Gustavo Santos da Silva, de 22 anos, como muitos pacientes, costuma abrir e ler os laudos, mas não conta para o médico. “Quando você abre sem rasgar o adesivo e depois fecha, eu acho que nem ele mesmo percebe que foi aberto. É um pouco de malandragem”, afirma. 

Nem precisa de malandragem. O doutor explica que o exame é do paciente e não do médico. Portanto, ele pode abrir quando quiser. “Ele te traz os exames apenas para a sua consulta. O exame é dele, ele é o proprietário do prontuário, assim como ele proprietário dos exames que ele fez”, explica um médico. 

Dependendo do tipo de exame e do grau de ansiedade, o publicitário Fernando Ciavolella abre o laudo antes de ir ao médico. “Acho que tem que ser curioso sim, pesquisar e saber o que significa, as consequências, enfim, que é bom para a gente”, acredita. 

Não há mal algum em tentar entender os exames, mas tem paciente que se confunde. “Ele não entende, se o negativo, é bom ou ruim para ele ou, se o positivo, é bom ou ruim para ele. Isso pode gerar um sofrimento enorme para esse paciente, que não tem preço e não tem razão. Olhar um exame não é só você ler o laudo. Você tem uma interpretação associada ao quadro que o seu paciente lhe trouxe”, defende o clínico geral Milton Glezer.