quinta-feira, 31 de julho de 2014

Médico ''amigo'' do paciente

Relação de confiança entre médico e paciente é essencial

Quando o paciente recebe o diagnóstico, a primeira reação costuma ser o medo

Comunicar o diagnóstico de câncer é um momento crucial na relação médico-paciente. É necessário transmitir, além do conhecimento técnico, respeito e humanidade, sabendo que há um ser humano, emocionalmente vulnerável, com todas as reações naturais a esta situação, como ansiedade, depressão, revolta, desconfiança e raiva.

É importante o profissional estar consciente e preparado para administrar esses sentimentos e estas reações que, muitas vezes, se voltam contra o profissional da saúde. Na fase do diagnóstico, o médico deve transmitir a segurança de seu conhecimento técnico demonstrando que, apesar de se tratar do diagnóstico de uma doença grave, essa doença tem cura e controle. 

É importante a explicação do que irá ocorrer com o paciente de forma clara, simples e no grau de entendimento do paciente, por se tratar de uma doença que no passado assustava muito. Até hoje, a palavra câncer traz consigo o estigma da morte incorporado à nossa cultura. 

A relação médico-paciente deve ser uma relação com características diferentes e mais próximas, pois, quando o paciente recebe o diagnóstico, a primeira reação costuma ser o medo de que, no seu caso, além de não ser curado, o câncer trará consigo sofrimento, humilhação física e dor. 

É comum nesse momento, ocorrer uma revisão de valores e propriedades, pois, o paciente e seus familiares terão seus projetos de vida modificados, momentaneamente, em razão do diagnóstico e o tratamento de câncer. 

Neste caso, é importante informar para o paciente que ele retornará a sua vida habitual o mais breve e da melhor maneira possível. Cabe ao profissional, respeitar a história de vida de cada paciente, e estar atento para estas modificações e adaptações que necessariamente virão. 

Quando o paciente recebe o diagnóstico de câncer, também é natural surgirem preocupações com a autoimagem e, conseqüentemente, com a modificação eventual da sexualidade, com medos e insensibilidades. Ocorrem modificações no desempenho de atividades físicas mais intensas, o que pode frustrar alguns pacientes. 

Além da competência técnica é importante a equipe ser compassiva ao lidar com as diversas etapas da doença, pois, o convívio é intenso em todas as fases.

O destino do paciente será decidido em cada momento e a consciência do risco torna as fases mais angustiantes, não só para o paciente, como também para o profissional. 

É importante também, informar para o paciente que seu tratamento será orientado por seu médico de confiança, mas que há uma enorme equipe que cuidará de seu tratamento, pois, há médicos de diversas especialidades, tais como o oncologista clínico, o radioterapeuta, o patologista entre outros, e também uma equipe multiprofissional, como o fisioterapeuta, o enfermeiro, o psicólogo e o nutricionista entre outros. 

Portanto, quando a relação médico-paciente é amistosa, afetiva e de confiança, certamente a angústia, o medo e a insegurança serão amenizados. 

Por isso, é necessário a equipe de saúde estar junto, sentir sua dor, compartilhar afeiçoes, angústias e esperanças, enfocar a capacidade do paciente de transpor obstáculos, respeitando seus valores, crenças e, principalmente sua individualidade. Tudo isso possibilita minimizar a ansiedade e o estresse provocados pelo diagnóstico e o tratamento de câncer.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Relação médico-paciente: humanização é fundamental

Vivemos tempos de grande avanço tecnológico. Com todas as vantagens da globalização, verificamos, ao mesmo tempo entristecidos, o distanciamento entre as pessoas. Assim como em nossa vida particular, este distanciamento ocorre no campo profissional e também nos consultórios e hospitais. Cada vez é mais comum ver médicos e pacientes dando lugar a números, exames e diagnósticos tornarem-se códigos, e a comunicação perder sua essência.

Aquele médico de família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo de suas vidas, não existe mais. Ou restam pouquíssimos. Hoje temos um estranho avaliando outro estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente, nunca mais se encontrarão. É de se lamentar...

Vivemos tempos de grande avanço tecnológico. Com todas as vantagens da globalização, verificamos, ao mesmo tempo entristecidos, o distanciamento entre as pessoas. Assim como em nossa vida particular, este distanciamento ocorre no campo profissional e também nos consultórios e hospitais. Cada vez é mais comum ver médicos e pacientes dando lugar a números, exames e diagnósticos tornarem-se códigos, e a comunicação perder sua essência.

Aquele médico de família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo de suas vidas, não existe mais. Ou restam pouquíssimos. Hoje temos um estranho avaliando outro estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente, nunca mais se encontrarão. É de se lamentar.

Entretanto, parece que, aos poucos, tanto os profissionais de medicina, como pacientes, vêm repensando conceitos. Constatam que nada substitui o tratamento humanizado, nada é mais importante do que o médico que tem nome e rosto e que conhece o nome e o rosto de seu paciente.

É tempo de recuperar nossas raízes, de resgatar do bom e velho médico, e suas principais qualidades sem, é claro, abrir mão de toda a modernidade a que temos direito. O resgate da humanização tão bem inserida naquele contexto de antigamente, deve pautar sempre a prática da medicina, com principal objetivo de oferecer assistência digna e de qualidade à população.

Seja da rede pública ou privada, o médico necessita de tranquilidade e deve ter todas as ferramentas necessárias para um atendimento no qual possa oferecer o melhor do seu conhecimento, toda a sua atenção e, principalmente, todo o seu respeito. Ele precisa de tempo suficiente para conhecer o paciente, descobrir suas queixas, averiguar seu passado, seus anseios e angústias, e fazer com que saia aliviado, com perspectiva de ter seu problema encaminhado.

Enfim, queremos ver novamente o paciente confiando sua saúde com a mesma tranquilidade que confiávamos antigamente. Ainda não é o que acontece na maioria dos casos. Em parte porque este profissional vestido de branco não dispõe de tempo de condições adequadas ao aprofundamento da relação com seu paciente. Pior, é pressionado por todos os lados. Na saúde pública pelas filas intermináveis, falta de equipamentos etc. Na rede privada, são as pressões das operadoras de planos de saúde, baixa remuneração e o constante descredenciamento da rede conveniada que frequentemente engessam o médico nas suas atividades.

A insegurança comum a médicos e população gera, não apenas atraso em diagnósticos ou tratamentos, como também traz consequências por vezes desastrosas. Ou seja, com todos os avanços, equipamentos de última geração e descobertas, temos hoje um dos piores cenário que este país já conheceu no sistema de saúde.

A medicina é humana em sua essência, feita de humanos para seres humanos. Não é possível mais assistir à sua fragmentação em duas medicinas - uma para os pobres e outras para os ricos. Dar e receber assistência médica de qualidade e universal, mais do que um anseio, é um direito de todos.

Antonio Carlos Lopes é Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
Artigo publicado em 11/05/2011no jornal Acorda Pará
Artigo publicado em 14/05 no Diário Catarinense

quinta-feira, 17 de julho de 2014


EUA aprovam aplicativo que 



dá acesso a exames médicos



Aplicativo Mobile MIM dá acesso a exames médicos (Foto: Reprodução)Aplicativo permite acessar exames médicos.
(Foto: Reprodução)
Um novo aplicativo que permite aos médicos o acesso a exames de seus pacientes por meio de seus celulares e tablets estará disponível nos Estados Unidos a partir desta semana.
O aplicativo chamado "Mobile MIM" foi aprovado pela "Food and Drug Administration (FDA)", nos EUA. O programa terá versão em 14 idiomas e será vendido nas lojas on-line da Apple em 34 países da Europa, Ásia, América Latina e Oriente Médio.
O aplicativo, que só pode ser instalado no iPhone e no iPad, serve para a observação de imagens captadas por tomografia computadorizada, ressonância magnética (MRI) e tecnologias de medicina nuclear como a tomografia por emissão de pósitrons (PET).
A FDA esclareceu que esta ferramenta "não tem o propósito de substituir os equipamentos convencionais, e seu uso se indica somente quando não há acesso a eles".
O "Mobile MIM" comprime as imagens registradas em um hospital ou consultório médico para sua transferência segura à rede e as envia ao celular ou tablet. O médico que receber as imagens pode medir distâncias e valores de intensidade, e pode ler as anotações e regiões de interesse, indicou a FDA.
Os níveis de luminosidade e outros aspectos da imagem podem variar entre diferentes telefones e tablets, embora sejam do mesmo modelo.

Fonte:http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/02/eua-aprovam-aplicativo-que-da-acesso-exames-medicos.html 

sábado, 12 de julho de 2014

Direito de não saber

A oncogeneticista Maria Isabel Achatz, do Hospital AC Camargo, em São Paulo, está de acordo com a recomendação americana. “Podendo ter informações sobre outras doenças, é um absurdo não contar ao paciente e deixar de informar que ele pode fazer alguma coisa pela sua saúde.”
Achatz assinala, contudo, que o paciente tem o direito de se negar a saber o resultado do teste. A médica já passou por essa experiência na clínica, quando uma paciente fez um teste para detectar mutações ligadas ao câncer e desistiu de saber o resultado. 
Para a geneticista, cada caso tem que ser avaliado levando-se em conta os benefícios e danos para o paciente e sua família. No caso de detecção de uma mutação que coloca em risco os parentes do paciente, que podem compartilhar dos mesmos marcadores genéticos, Achatz acredita que é dever do médico, se solicitado, informar à família. 
“Encontro em um paciente uma mutação VHL, que proporciona 100% de chance de desenvolver tumores até os 50 anos, e ele diz que não quer que ninguém saiba que ele tem essa mutação”, supõe a geneticista. “Se os pais dele ou os filhos me procurarem, eu posso entrar com um processo junto ao Conselho Regional de Medicina para que os parentes saibam e comecem a monitorar o desenvolvimento do câncer.”
De opinião diferente é o também oncogeneticista José Cláudio Casali, do Hospital Erasto Gaertner e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, que já passou por situação parecida e não revelou o resultado do teste aos parentes a pedido do paciente. Casali frisa que o código de ética médico brasileiro prioriza o direito do paciente sobre o da família.
“O médico não tem o direito de introduzir uma informação para um paciente que não quer saber, que muitas vezes não se sente preparado, nem pode passar por cima da decisão do paciente e informar à família”, diz. “A decisão do paciente tem que ser respeitada até porque não se sabe se a mutação vai ou não expressar a doença. A genética não é determinística e a percepção de risco é muito pessoal. Quando falo que um paciente tem 80% de chance de desenvolver uma doença, ele pode pensar que está entre esses 80% ou entre os 20%.”
Achatz lembra, no entanto, que os testes genéticos mais completos ainda são uma novidade na clínica brasileira. “O teste do exoma traz uma situação completamente nova; temos que rever todo o código ético em relação aos testes genéticos”, afirma.
Além da discussão sobre os limites de decisão do médico e do paciente, os testes genéticos abrem espaço para outros debates, como a seleção genética em caso de exames feitos em fetos e a discriminação que pode haver caso as informações dos pacientes cheguem às empresas de seguros de saúde e vida.
“Essa é uma discussão que temos que levar adiante, é muito importante que haja regulamentação sobre a genética clínica”, defende Casali. “O Brasil é pioneiro em priorizar a escolha do paciente em pesquisas genéticas, nas quais o paciente tem o direito de escolher para que será usado o material genético que doa e que tipos de resultados quer receber. Mas falta ainda uma decisão para a clínica.”
Duas opçõesExistem diversos tipos de e metodologias usadas em testes genéticos para detectar mutações ligadas a doenças. Normalmente, dentro desse universo, o médico tem duas opções gerais: pedir um teste para investigar uma região específica do DNA ou um teste de exoma, que examina simultaneamente todos os 20 mil genes ativos do genoma humano. Um exemplo de teste específico é o para detectar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, ligados ao câncer de mama e ovário. Esse tipo de teste tem maior eficácia do que o de exoma. Por analisar um escopo muito amplo, o teste de exoma está mais suscetível a falsos positivos e negativos, mas oferece uma visão geral do genoma e pode revelar mutações que não seriam encontradas em teste específico. Para câncer de mama, por exemplo, são conhecidos outros 20 genes que podem ser investigados com o exoma. Esse teste é oferecido por laboratórios no Brasil, mas seu processamento é complexo e conduzido só fora do país.
Fonte:http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/05/informar-ou-nao-informar-eis-a-questao

sábado, 5 de julho de 2014

O dever de informar

Nos Estados Unidos, o Colegiado Americano de Medicina Genética e Genômica(ACMG, na sigla em inglês) lançou recentemente um relatório com novas recomendações sobre os testes genéticos para laboratórios e médicos sobre os testes genéticos que mapeiam o DNA – o teste de genoma, que analisa todo o DNA, e o de exoma, que investiga o DNA ativo. O primeiro é raro e não está disponível clinicamente no Brasil, mas o segundo já é oferecido aqui por cerca de 13 mil reais. 
A ACMG orienta que, quando o paciente se submeter a um desses testes, o médico procure por mutações mesmo que não estejam relacionadas à doença de interesse do paciente. Se o sujeito pedir um teste para procurar marcadores para câncer, por exemplo, o recomendado é que o laboratório também procure por mutações ligadas a outras doenças e que o médico informe ao paciente caso ele tenha esses marcadores.  
A instituição lista um grupo de 57 mutações sabidamente ligadas a condições graves, com tratamento e prevenção conhecidos, que devem sempre ser investigadas em detalhe pelos laboratórios e incluídas no laudo entregue ao médico. 
O principal autor do relatório que traz as novas recomendações, o geneticista Robert Green, reconhece que com isso os testes podem ficar mais caros, mas acredita que a medida vai trazer benefícios para médicos e pacientes.
O nosso genoma tem um potencial enorme de fornecer informação sobre doenças raras e comuns, mas tem sido difícil estabelecer quais descobertas devem e quais não devem fazer parte do relatório médico”, diz Green. “Nossas recomendações facilitam essa escolha ao listar algumas mutações e genes que, se identificados, têm forte impacto positivo na saúde dos pacientes e suas famílias, que poderão monitorar e evitar algumas doenças.”
Mas as recomendações têm causado debate nos Estados Unidos. Em artigo publicado na revista Science, a especialista em direito e medicina Susan Wolf, da Universidade de Minnesota, defende que a medida é uma ameaça à liberdade de escolha dos pacientes. Na sua interpretação, as novas diretrizes retiram do paciente o direito de escolher a que exame vai ser submetido e de não saber sobre uma condição qualquer para a qual não pretendia ser testado. 
As situações em que os médicos podem testar sem o consentimento do paciente são raras exceções, apenas quando a vida do paciente está comprometida, ele está inconsciente e não há ninguém para consentir”, pondera. “Esse não é o caso dos sequenciamentos genéticos. Os pacientes têm o direito de recusar testes médicos não desejados e a informação que os testes podem gerar, mesmo que essa informação ofereça um benefício.”
Já o oncologista Steven Joffe, do Instituto do Câncer Dana-Farber, que também assina umartigo de opinião sobre o assunto na Science,acredita que as recomendações não ferem a liberdade do paciente. Segundo o médico, tudo se resolve por meio de um aconselhamento em consulta informando ao paciente as possibilidades de resultados, tratamento e monitoramento.
A decisão do escopo de análise é do médico, ele é quem tem a expertise para saber que análises clínicas são benéficas para o paciente”, afirma. “Se um paciente está sendo avaliado para uma condição cardíaca por meio de um teste genético e o laboratório encontra indicação de predisposição para o câncer, o paciente deve ser comunicado e isso não é testar sem consentimento; o paciente consente quando aceita fazer o teste.”

Fonte:http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/05/informar-ou-nao-informar-eis-a-questao