quinta-feira, 31 de julho de 2014

Médico ''amigo'' do paciente

Relação de confiança entre médico e paciente é essencial

Quando o paciente recebe o diagnóstico, a primeira reação costuma ser o medo

Comunicar o diagnóstico de câncer é um momento crucial na relação médico-paciente. É necessário transmitir, além do conhecimento técnico, respeito e humanidade, sabendo que há um ser humano, emocionalmente vulnerável, com todas as reações naturais a esta situação, como ansiedade, depressão, revolta, desconfiança e raiva.

É importante o profissional estar consciente e preparado para administrar esses sentimentos e estas reações que, muitas vezes, se voltam contra o profissional da saúde. Na fase do diagnóstico, o médico deve transmitir a segurança de seu conhecimento técnico demonstrando que, apesar de se tratar do diagnóstico de uma doença grave, essa doença tem cura e controle. 

É importante a explicação do que irá ocorrer com o paciente de forma clara, simples e no grau de entendimento do paciente, por se tratar de uma doença que no passado assustava muito. Até hoje, a palavra câncer traz consigo o estigma da morte incorporado à nossa cultura. 

A relação médico-paciente deve ser uma relação com características diferentes e mais próximas, pois, quando o paciente recebe o diagnóstico, a primeira reação costuma ser o medo de que, no seu caso, além de não ser curado, o câncer trará consigo sofrimento, humilhação física e dor. 

É comum nesse momento, ocorrer uma revisão de valores e propriedades, pois, o paciente e seus familiares terão seus projetos de vida modificados, momentaneamente, em razão do diagnóstico e o tratamento de câncer. 

Neste caso, é importante informar para o paciente que ele retornará a sua vida habitual o mais breve e da melhor maneira possível. Cabe ao profissional, respeitar a história de vida de cada paciente, e estar atento para estas modificações e adaptações que necessariamente virão. 

Quando o paciente recebe o diagnóstico de câncer, também é natural surgirem preocupações com a autoimagem e, conseqüentemente, com a modificação eventual da sexualidade, com medos e insensibilidades. Ocorrem modificações no desempenho de atividades físicas mais intensas, o que pode frustrar alguns pacientes. 

Além da competência técnica é importante a equipe ser compassiva ao lidar com as diversas etapas da doença, pois, o convívio é intenso em todas as fases.

O destino do paciente será decidido em cada momento e a consciência do risco torna as fases mais angustiantes, não só para o paciente, como também para o profissional. 

É importante também, informar para o paciente que seu tratamento será orientado por seu médico de confiança, mas que há uma enorme equipe que cuidará de seu tratamento, pois, há médicos de diversas especialidades, tais como o oncologista clínico, o radioterapeuta, o patologista entre outros, e também uma equipe multiprofissional, como o fisioterapeuta, o enfermeiro, o psicólogo e o nutricionista entre outros. 

Portanto, quando a relação médico-paciente é amistosa, afetiva e de confiança, certamente a angústia, o medo e a insegurança serão amenizados. 

Por isso, é necessário a equipe de saúde estar junto, sentir sua dor, compartilhar afeiçoes, angústias e esperanças, enfocar a capacidade do paciente de transpor obstáculos, respeitando seus valores, crenças e, principalmente sua individualidade. Tudo isso possibilita minimizar a ansiedade e o estresse provocados pelo diagnóstico e o tratamento de câncer.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Relação médico-paciente: humanização é fundamental

Vivemos tempos de grande avanço tecnológico. Com todas as vantagens da globalização, verificamos, ao mesmo tempo entristecidos, o distanciamento entre as pessoas. Assim como em nossa vida particular, este distanciamento ocorre no campo profissional e também nos consultórios e hospitais. Cada vez é mais comum ver médicos e pacientes dando lugar a números, exames e diagnósticos tornarem-se códigos, e a comunicação perder sua essência.

Aquele médico de família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo de suas vidas, não existe mais. Ou restam pouquíssimos. Hoje temos um estranho avaliando outro estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente, nunca mais se encontrarão. É de se lamentar...

Vivemos tempos de grande avanço tecnológico. Com todas as vantagens da globalização, verificamos, ao mesmo tempo entristecidos, o distanciamento entre as pessoas. Assim como em nossa vida particular, este distanciamento ocorre no campo profissional e também nos consultórios e hospitais. Cada vez é mais comum ver médicos e pacientes dando lugar a números, exames e diagnósticos tornarem-se códigos, e a comunicação perder sua essência.

Aquele médico de família, que acompanhava todos os seus integrantes ao longo de suas vidas, não existe mais. Ou restam pouquíssimos. Hoje temos um estranho avaliando outro estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente, nunca mais se encontrarão. É de se lamentar.

Entretanto, parece que, aos poucos, tanto os profissionais de medicina, como pacientes, vêm repensando conceitos. Constatam que nada substitui o tratamento humanizado, nada é mais importante do que o médico que tem nome e rosto e que conhece o nome e o rosto de seu paciente.

É tempo de recuperar nossas raízes, de resgatar do bom e velho médico, e suas principais qualidades sem, é claro, abrir mão de toda a modernidade a que temos direito. O resgate da humanização tão bem inserida naquele contexto de antigamente, deve pautar sempre a prática da medicina, com principal objetivo de oferecer assistência digna e de qualidade à população.

Seja da rede pública ou privada, o médico necessita de tranquilidade e deve ter todas as ferramentas necessárias para um atendimento no qual possa oferecer o melhor do seu conhecimento, toda a sua atenção e, principalmente, todo o seu respeito. Ele precisa de tempo suficiente para conhecer o paciente, descobrir suas queixas, averiguar seu passado, seus anseios e angústias, e fazer com que saia aliviado, com perspectiva de ter seu problema encaminhado.

Enfim, queremos ver novamente o paciente confiando sua saúde com a mesma tranquilidade que confiávamos antigamente. Ainda não é o que acontece na maioria dos casos. Em parte porque este profissional vestido de branco não dispõe de tempo de condições adequadas ao aprofundamento da relação com seu paciente. Pior, é pressionado por todos os lados. Na saúde pública pelas filas intermináveis, falta de equipamentos etc. Na rede privada, são as pressões das operadoras de planos de saúde, baixa remuneração e o constante descredenciamento da rede conveniada que frequentemente engessam o médico nas suas atividades.

A insegurança comum a médicos e população gera, não apenas atraso em diagnósticos ou tratamentos, como também traz consequências por vezes desastrosas. Ou seja, com todos os avanços, equipamentos de última geração e descobertas, temos hoje um dos piores cenário que este país já conheceu no sistema de saúde.

A medicina é humana em sua essência, feita de humanos para seres humanos. Não é possível mais assistir à sua fragmentação em duas medicinas - uma para os pobres e outras para os ricos. Dar e receber assistência médica de qualidade e universal, mais do que um anseio, é um direito de todos.

Antonio Carlos Lopes é Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
Artigo publicado em 11/05/2011no jornal Acorda Pará
Artigo publicado em 14/05 no Diário Catarinense

quinta-feira, 17 de julho de 2014


EUA aprovam aplicativo que 



dá acesso a exames médicos



Aplicativo Mobile MIM dá acesso a exames médicos (Foto: Reprodução)Aplicativo permite acessar exames médicos.
(Foto: Reprodução)
Um novo aplicativo que permite aos médicos o acesso a exames de seus pacientes por meio de seus celulares e tablets estará disponível nos Estados Unidos a partir desta semana.
O aplicativo chamado "Mobile MIM" foi aprovado pela "Food and Drug Administration (FDA)", nos EUA. O programa terá versão em 14 idiomas e será vendido nas lojas on-line da Apple em 34 países da Europa, Ásia, América Latina e Oriente Médio.
O aplicativo, que só pode ser instalado no iPhone e no iPad, serve para a observação de imagens captadas por tomografia computadorizada, ressonância magnética (MRI) e tecnologias de medicina nuclear como a tomografia por emissão de pósitrons (PET).
A FDA esclareceu que esta ferramenta "não tem o propósito de substituir os equipamentos convencionais, e seu uso se indica somente quando não há acesso a eles".
O "Mobile MIM" comprime as imagens registradas em um hospital ou consultório médico para sua transferência segura à rede e as envia ao celular ou tablet. O médico que receber as imagens pode medir distâncias e valores de intensidade, e pode ler as anotações e regiões de interesse, indicou a FDA.
Os níveis de luminosidade e outros aspectos da imagem podem variar entre diferentes telefones e tablets, embora sejam do mesmo modelo.

Fonte:http://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2011/02/eua-aprovam-aplicativo-que-da-acesso-exames-medicos.html 

sábado, 12 de julho de 2014

Direito de não saber

A oncogeneticista Maria Isabel Achatz, do Hospital AC Camargo, em São Paulo, está de acordo com a recomendação americana. “Podendo ter informações sobre outras doenças, é um absurdo não contar ao paciente e deixar de informar que ele pode fazer alguma coisa pela sua saúde.”
Achatz assinala, contudo, que o paciente tem o direito de se negar a saber o resultado do teste. A médica já passou por essa experiência na clínica, quando uma paciente fez um teste para detectar mutações ligadas ao câncer e desistiu de saber o resultado. 
Para a geneticista, cada caso tem que ser avaliado levando-se em conta os benefícios e danos para o paciente e sua família. No caso de detecção de uma mutação que coloca em risco os parentes do paciente, que podem compartilhar dos mesmos marcadores genéticos, Achatz acredita que é dever do médico, se solicitado, informar à família. 
“Encontro em um paciente uma mutação VHL, que proporciona 100% de chance de desenvolver tumores até os 50 anos, e ele diz que não quer que ninguém saiba que ele tem essa mutação”, supõe a geneticista. “Se os pais dele ou os filhos me procurarem, eu posso entrar com um processo junto ao Conselho Regional de Medicina para que os parentes saibam e comecem a monitorar o desenvolvimento do câncer.”
De opinião diferente é o também oncogeneticista José Cláudio Casali, do Hospital Erasto Gaertner e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, que já passou por situação parecida e não revelou o resultado do teste aos parentes a pedido do paciente. Casali frisa que o código de ética médico brasileiro prioriza o direito do paciente sobre o da família.
“O médico não tem o direito de introduzir uma informação para um paciente que não quer saber, que muitas vezes não se sente preparado, nem pode passar por cima da decisão do paciente e informar à família”, diz. “A decisão do paciente tem que ser respeitada até porque não se sabe se a mutação vai ou não expressar a doença. A genética não é determinística e a percepção de risco é muito pessoal. Quando falo que um paciente tem 80% de chance de desenvolver uma doença, ele pode pensar que está entre esses 80% ou entre os 20%.”
Achatz lembra, no entanto, que os testes genéticos mais completos ainda são uma novidade na clínica brasileira. “O teste do exoma traz uma situação completamente nova; temos que rever todo o código ético em relação aos testes genéticos”, afirma.
Além da discussão sobre os limites de decisão do médico e do paciente, os testes genéticos abrem espaço para outros debates, como a seleção genética em caso de exames feitos em fetos e a discriminação que pode haver caso as informações dos pacientes cheguem às empresas de seguros de saúde e vida.
“Essa é uma discussão que temos que levar adiante, é muito importante que haja regulamentação sobre a genética clínica”, defende Casali. “O Brasil é pioneiro em priorizar a escolha do paciente em pesquisas genéticas, nas quais o paciente tem o direito de escolher para que será usado o material genético que doa e que tipos de resultados quer receber. Mas falta ainda uma decisão para a clínica.”
Duas opçõesExistem diversos tipos de e metodologias usadas em testes genéticos para detectar mutações ligadas a doenças. Normalmente, dentro desse universo, o médico tem duas opções gerais: pedir um teste para investigar uma região específica do DNA ou um teste de exoma, que examina simultaneamente todos os 20 mil genes ativos do genoma humano. Um exemplo de teste específico é o para detectar mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, ligados ao câncer de mama e ovário. Esse tipo de teste tem maior eficácia do que o de exoma. Por analisar um escopo muito amplo, o teste de exoma está mais suscetível a falsos positivos e negativos, mas oferece uma visão geral do genoma e pode revelar mutações que não seriam encontradas em teste específico. Para câncer de mama, por exemplo, são conhecidos outros 20 genes que podem ser investigados com o exoma. Esse teste é oferecido por laboratórios no Brasil, mas seu processamento é complexo e conduzido só fora do país.
Fonte:http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/05/informar-ou-nao-informar-eis-a-questao

sábado, 5 de julho de 2014

O dever de informar

Nos Estados Unidos, o Colegiado Americano de Medicina Genética e Genômica(ACMG, na sigla em inglês) lançou recentemente um relatório com novas recomendações sobre os testes genéticos para laboratórios e médicos sobre os testes genéticos que mapeiam o DNA – o teste de genoma, que analisa todo o DNA, e o de exoma, que investiga o DNA ativo. O primeiro é raro e não está disponível clinicamente no Brasil, mas o segundo já é oferecido aqui por cerca de 13 mil reais. 
A ACMG orienta que, quando o paciente se submeter a um desses testes, o médico procure por mutações mesmo que não estejam relacionadas à doença de interesse do paciente. Se o sujeito pedir um teste para procurar marcadores para câncer, por exemplo, o recomendado é que o laboratório também procure por mutações ligadas a outras doenças e que o médico informe ao paciente caso ele tenha esses marcadores.  
A instituição lista um grupo de 57 mutações sabidamente ligadas a condições graves, com tratamento e prevenção conhecidos, que devem sempre ser investigadas em detalhe pelos laboratórios e incluídas no laudo entregue ao médico. 
O principal autor do relatório que traz as novas recomendações, o geneticista Robert Green, reconhece que com isso os testes podem ficar mais caros, mas acredita que a medida vai trazer benefícios para médicos e pacientes.
O nosso genoma tem um potencial enorme de fornecer informação sobre doenças raras e comuns, mas tem sido difícil estabelecer quais descobertas devem e quais não devem fazer parte do relatório médico”, diz Green. “Nossas recomendações facilitam essa escolha ao listar algumas mutações e genes que, se identificados, têm forte impacto positivo na saúde dos pacientes e suas famílias, que poderão monitorar e evitar algumas doenças.”
Mas as recomendações têm causado debate nos Estados Unidos. Em artigo publicado na revista Science, a especialista em direito e medicina Susan Wolf, da Universidade de Minnesota, defende que a medida é uma ameaça à liberdade de escolha dos pacientes. Na sua interpretação, as novas diretrizes retiram do paciente o direito de escolher a que exame vai ser submetido e de não saber sobre uma condição qualquer para a qual não pretendia ser testado. 
As situações em que os médicos podem testar sem o consentimento do paciente são raras exceções, apenas quando a vida do paciente está comprometida, ele está inconsciente e não há ninguém para consentir”, pondera. “Esse não é o caso dos sequenciamentos genéticos. Os pacientes têm o direito de recusar testes médicos não desejados e a informação que os testes podem gerar, mesmo que essa informação ofereça um benefício.”
Já o oncologista Steven Joffe, do Instituto do Câncer Dana-Farber, que também assina umartigo de opinião sobre o assunto na Science,acredita que as recomendações não ferem a liberdade do paciente. Segundo o médico, tudo se resolve por meio de um aconselhamento em consulta informando ao paciente as possibilidades de resultados, tratamento e monitoramento.
A decisão do escopo de análise é do médico, ele é quem tem a expertise para saber que análises clínicas são benéficas para o paciente”, afirma. “Se um paciente está sendo avaliado para uma condição cardíaca por meio de um teste genético e o laboratório encontra indicação de predisposição para o câncer, o paciente deve ser comunicado e isso não é testar sem consentimento; o paciente consente quando aceita fazer o teste.”

Fonte:http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/05/informar-ou-nao-informar-eis-a-questao

domingo, 29 de junho de 2014

Informar ou não informar, eis a questão

Sua família tem histórico de uma doença genética e hereditária e você decide investigar se também tem chance de desenvolver o mesmo mal. O médico lhe orienta a fazer um teste de mapeamento do DNA em busca de mutações que indiquem o seu risco. No mesmo exame ou com análises complementares é possível ver marcadores para outras doenças. Você gostaria de saber que outros riscos está correndo? O médico tem o dever de te informar? Ele pode investigar outras doenças sem que você tenha pedido?
Essas perguntas ficarão cada vez mais rotineiras com a popularização de testes para detectar indícios genéticos associados a doenças neurodegenerativas, câncer, complicações cardiovasculares e outras. 
A partir de material genético de um indivíduo em amostras de sangue ou saliva, esses testes conseguem identificar falhas e erros na ordem de suas bases nitrogenadas – as ‘letras’ que compõem o DNA. A troca ou o sumiço de uma dessas ‘letras’ em determinados genes indica um risco de desenvolver certas doenças que pode ser passado de pais para filhos.
Apesar de ainda serem caros e não estarem disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS) – com a exceção de alguns hospitais universitários –, tais exames podem ser feitos, com prescrição médica, em laboratórios brasileiros, muitos dos quais são cobertos pelos planos de saúde particulares.
Não existe no país regulamentação sobre testes genéticos com fins diagnósticos
Ainda assim, não existe no país regulamentação sobre como os geneticistas, médicos e laboratórios devem proceder em relação a testes genéticos com fins diagnósticos. Há apenas recomendações daAssociação Médica Brasileira e umaresolução do Conselho Nacional de Saúde (CNS) sobre pesquisas genéticas, que não inclui o uso dos testes na clínica médica. Na falta de diretrizes próprias, exemplos de outros países podem ser uma alternativa para a discussão.

domingo, 15 de junho de 2014

Está sendo proposto nos Estados Unidos um projeto de lei que obriga os laboratórios a entregarem resultados diretamente aos pacientes quando solicitado, o que está causando uma onda de discordância por parte de médicos, hospitais e dos próprios laboratórios.
O projeto não prevê a obrigatoriedade de os laboratórios garantirem que o médico veja os resultados primeiro, para que possa explicá-los ao paciente. A proposta, ao dizer que os pacientes deveriam ter acesso a todos os resultados, também não distingue entre exames de rotina com resultados normais de resultados que poderiam ser diagnósticos de doenças sérias.
O argumento dos médicos é que se fizermos muitos testes em pessoas saudáveis, a probabilidade de que algum resultado seja “não normal” é muito grande, e isso pode causar insegurança nos pacientes que interpretarem mal dados não significativos. Ao mesmo tempo, essa insegurança abala a confiança da relação médico-paciente, uma vez que a palavra do médico chega em resposta à insegurança do paciente, e não como uma boa notícia desde o início. Além disso, médicos afirmam que, mesmo que os resultados sejam realmente “não normais”, a melhor maneira de um paciente receber esse tipo de notícia não é abrindo um envelope, sozinho.
Uma alternativa proposta pelo vice-presidente executivo da American Medical Association é que os resultados dos exames venham acompanhados de um aviso que diga aos pacientes que procurem seus médicos de confiança para obter ajuda na interpretação dos dados, bem como explicitando as limitações dos testes de laboratório em termos de diagnosticar doenças sem a interpretação de um profissional que considere mais fatores de cada caso.
Fonte:http://www.scientific.com.br/2011/12/20/pacientes-devem-ter-acesso-direto-a-resultados-de-exames-laboratoriais/

sábado, 7 de junho de 2014

Proposta sobre o acesso a testes de laboratório devem ser revistos, dizem os médicos

 A AMA e outras organizações médicas apontam que os pacientes precisam de ajuda interpretação de resultados


Proposta regras federais que substituem as leis em 20 estados e exigem laboratórios para enviar os resultados dos testes diretamente aos pacientes mediante solicitação desenhou uma série de objeções de organizações de médicos, laboratórios e hospitais.
O Departamento de Saúde e Serviços Humanos proposta, apresentada em setembro, não necessita de laboratórios para assegurar que os médicos obter resultados de testes antes que os pacientes para que eles possam ajudá-los a entender os resultados. A proposta também não faz distinção entre os resultados dos testes de rotina e aqueles que entregar a notícia de um diagnóstico potencialmente alterando a vida, dizendo que os pacientes devem ter acesso direto a todos os resultados do teste.
A proposta de regulamento pode levar a confusão paciente e prejudicar as relações com o médico, disse Glen Stream, MD, presidente da Academia Americana de Médicos de Família.
"Se você fizer testes suficientes sobre qualquer pessoa saudável, alguns deles vão ser anormal, por isso uma preocupação é que as pessoas vão interpretar mal valores insignificantes", disse Dr. Stream, um médico de família a partir de Spokane, Washington "Isso cria apreensão indevida por parte do paciente, e aqui do médico dizendo-lhes: "Você não precisa se preocupar com isso." Isso cria uma incerteza nessa relação médico-paciente. Quanto maior preocupação é que o resultado pode ser verdadeiramente anormal, mas olhando-se que resultar-se como um paciente não é o caminho para obter potencialmente más notícias. "
Estas preocupações foram ecoadas em observações apresentadas pelo American Medical Association, do American College of Physicians e da Academia Americana de Pediatria. Eles chamaram por algum tipo de renúncia ligado a resultados de laboratório para informar os pacientes que eles devem consultar o médico ordenação para a interpretação.
"Lab informa ... deve conter linguagem padrão enfatizando tanto as limitações dos dados de laboratório sozinho em confirmar ou excluir o diagnóstico, bem como a importância de o paciente discutir os seus resultados de laboratório com seu médico", AMA Vice-Presidente Executivo e CEO James L . Madara, MD, disse em um comentário enviado em 10 de novembro. "A parte crítica do processo de testes de laboratório e resultados é a comunicação médico-paciente."
Muitos grupos comerciais que representam os laboratórios clínicos pediu ao governo para adicionar esse tipo de linguagem disclaimer, temendo exposição passiva de pacientes que erroneamente interpretam seus resultados e sofrem conseqüências adversas. Os laboratórios, juntamente com os hospitais que operam instalações de laboratório, perguntou HHS para o tempo extra para cumprir com eventuais novas exigências.
Os laboratórios também pediu orientações sobre como verificar a identidade dos pacientes, antes de entregar o resultado. HHS estima a regra afetará mais de 22.000 laboratórios, 6,1 milhões de exames e impor $ 56 milhões no custo anual de conformidade laboratório.

Médicos querem resultados do primeiro

No comentário da AMA, Dr. Madara disse laboratórios devem ser obrigados a dar resultados aos médicos, pelo menos, ao mesmo tempo em que dá-los a pacientes. Muitos dos 90 comentários a HHS pediu um intervalo de tempo entre quando os médicos recebem os resultados e quando os pacientes fazem.
"Eu acho que ter um intervalo de tempo é muito importante, porque, em seguida, os médicos têm tempo suficiente para resolver o problema antes de esperar o chamado de um paciente", disse Hardeep Singh, MD, MPH, professor assistente de medicina na Faculdade de Medicina Baylor, em Houston.
De acordo com a 28 de setembro de 2009, Archives of Internal Medicineestudo co-escrito pelo Dr. Singh, médicos escritório-baseados não conseguem acompanhar o teste anormal clinicamente significativa resulta de 7,7% do tempo.
Dr. Singh disse que é difícil prever se a proposta HHS iria melhorar a segurança do paciente. Ele co-escreveu um comentário de linha sobre a regra, publicado em 28 de novembro, em The Journal of the American Medical Association.
Uma das premissas do regulamento é que ele vai ajudar a evitar que os resultados dos testes não atendidas, mas ele disse que não poderia acontecer.
"Sabemos que, se deixar isso para pacientes que então eles vão agir mais e ser mais pró-ativa?" disse ele, observando que alguns dos pacientes que já têm acesso aos resultados do teste por meio de sistemas de registos de saúde pessoal usar a funcionalidade.
HHS está examinando os comentários e, caso decida prosseguir com o processo de regulamentação, vai emitir uma regra final que leva os comentários em consideração. Nenhuma data foi anunciada a respeito de quando a regra final possa ser emitido.

Fonte:http://www.amednews.com/article/20111212/profession/312129937/6/

domingo, 1 de junho de 2014

Reportagem do Jornal Hoje sobre interpretação precipitada de exames

Pacientes devem ter cuidado ao interpretar exames

Eles têm o direito de olhar o resultado antes de apresentá-lo ao médico, mas não devem se precipitar para não se confundir com o laudo.


O paciente tem o direito de olhar o resultado de exames antes de voltar e apresentá-los ao médico. Alguns médicos dão bronca porque há pacientes que ficam interpretando o resultado. Mas o exame é do paciente e ele pode e tem o direito de abri-lo, só é preciso muito cuidado na hora de interpretá-lo, papel que cabe ao médico. 

Em São Paulo, para garantir esse direito, um laboratório passou a gravar os laudos em áudio para que os pacientes cegos possam saber o resultado sem ter que pedir ajuda. 

A voz da médica lendo o resultado do exame é gravada. Ela não comenta os dados, apenas reproduz o que está escrito. O laudo em áudio é gravado em um CD para o paciente. A novidade é de um laboratório paulista que faz, em média, 1,7 milhões exames por mês. 

“A nossa intenção era a inclusão social, era dar a oportunidade ao paciente que tem uma deficiência visual de ter acesso aos seus laudos de uma forma individual, sem depender de ninguém para ajudá-lo a fazer essa leitura”, explica a patologista clínica do laboratório Delboni, Ana Letícia de Aquino Daher. 

Ter acesso aos resultados dos exames é um direito de cada um, mas os médicos dizem que os pacientes mais curiosos precisam ter cuidado. A interpretação dos laudos é importante e deve ser feita por um especialista. 

Gustavo Santos da Silva, de 22 anos, como muitos pacientes, costuma abrir e ler os laudos, mas não conta para o médico. “Quando você abre sem rasgar o adesivo e depois fecha, eu acho que nem ele mesmo percebe que foi aberto. É um pouco de malandragem”, afirma. 

Nem precisa de malandragem. O doutor explica que o exame é do paciente e não do médico. Portanto, ele pode abrir quando quiser. “Ele te traz os exames apenas para a sua consulta. O exame é dele, ele é o proprietário do prontuário, assim como ele proprietário dos exames que ele fez”, explica um médico. 

Dependendo do tipo de exame e do grau de ansiedade, o publicitário Fernando Ciavolella abre o laudo antes de ir ao médico. “Acho que tem que ser curioso sim, pesquisar e saber o que significa, as consequências, enfim, que é bom para a gente”, acredita. 

Não há mal algum em tentar entender os exames, mas tem paciente que se confunde. “Ele não entende, se o negativo, é bom ou ruim para ele ou, se o positivo, é bom ou ruim para ele. Isso pode gerar um sofrimento enorme para esse paciente, que não tem preço e não tem razão. Olhar um exame não é só você ler o laudo. Você tem uma interpretação associada ao quadro que o seu paciente lhe trouxe”, defende o clínico geral Milton Glezer.

domingo, 18 de maio de 2014

Encontrei um texto no site da escola americana de cardiologia que expressa bem meu ponto de vista sobre a entrega de exames. Como disse no post passado, existem exames que devem ser entregues primeiramente ao médico e outros que podem se entregues ao paciente.

Os pacientes deveriam ter acesso direto aos resultados de laboratório?
Autora: Mônica Samuel Avila

    Nos Estados Unidos, os exames realizados eletivamente são entregues para o paciente com um atraso de alguns dias (3 a 7 dias) para permitir que os seus médicos revisem os resultados. Em setembro de 2011, o Departamento de serviços de saúde americano (Department of Health Human Services), juntamente com outros órgãos regulatórios da saúde (Centers of Medcare, Centers of Disease Control and Prevention e Office for Civil Rights), propuseram uma nova regra para o acesso dos pacientes aos exames diretamente do laboratório.

    O objetivo da proposta é reduzir o trabalho do médico, diminuir o numero de pacientes que não recebem a notificação de exames prontos e reduzir o risco de perda de seguimento. Apesar de a regra ser considerada um passo importante para melhorar a segurança do seguimento após os resultados, existe uma falta de consenso na literatura sobre qual a melhor maneira de se notificar um paciente sobre um exame anormal.

    Existem estudos que apontam que os pacientes demonstram interesse em estar envolvidos na decisão médica e desejam acesso a informações em relação à sua saúde o mais rápido possível. O acesso direto aos resultados encoraja os pacientes a participarem ativamente do acompanhamento com seu médico, a se informarem mais sobre os exames, e a formarem uma maior parceria com seus médicos para atingir um melhor resultado.

    A proposta não inclui exames como anti-HIV, anátomo - patológico anormal e testes genéticos, para que os médicos tenham a oportunidade de receber os resultados antes e dar a notícia para seu paciente pessoalmente. A preocupação dos médicos é que esse acesso aos resultados sem uma explicação médica leve a ansiedade e confusão desnecessárias, especialmente quando os resultados são difíceis de interpretar.

    Além disso, muitos pacientes tentariam entrar em contato com seu médicos antes da consulta para solicitar esclarecimentos dos resultados anormais. A proposta será implantada em 39 estados dos EUA e as potencias conseqüências e benefícios dessa regra deverão ser rigorosamente avaliados.



Fonte:http://cientifico.cardiol.br/cardiosource2/noticias/int_noticia47.asp

sábado, 10 de maio de 2014

O paciente deve ou não ter acesso ao resultado do exame?

   O paciente deve ou não ter acesso ao resultado do exame? Pelo estatuto dos direitos do paciente a resposta é sim. Porém, essa pergunta está muito acima dessas leis. Imagine uma pessoa não tem nenhum conhecimento médico e vai abrir um envelope de laboratório para tentar interpretar um exame. Com certeza essa pessoa vai tirar conclusões precipitadas, que podem lhe causar algum tipo de abalo psicológico.
   Na minha opinião exames eletivos podem ser entregues em primeira pessoa. Já, exames com resultados emergenciais devem ser entregues primeiramente para o médico, pois este é o capacitado nas interpretações dos resultados e sabe como explicar ao paciente.