domingo, 15 de junho de 2014

Está sendo proposto nos Estados Unidos um projeto de lei que obriga os laboratórios a entregarem resultados diretamente aos pacientes quando solicitado, o que está causando uma onda de discordância por parte de médicos, hospitais e dos próprios laboratórios.
O projeto não prevê a obrigatoriedade de os laboratórios garantirem que o médico veja os resultados primeiro, para que possa explicá-los ao paciente. A proposta, ao dizer que os pacientes deveriam ter acesso a todos os resultados, também não distingue entre exames de rotina com resultados normais de resultados que poderiam ser diagnósticos de doenças sérias.
O argumento dos médicos é que se fizermos muitos testes em pessoas saudáveis, a probabilidade de que algum resultado seja “não normal” é muito grande, e isso pode causar insegurança nos pacientes que interpretarem mal dados não significativos. Ao mesmo tempo, essa insegurança abala a confiança da relação médico-paciente, uma vez que a palavra do médico chega em resposta à insegurança do paciente, e não como uma boa notícia desde o início. Além disso, médicos afirmam que, mesmo que os resultados sejam realmente “não normais”, a melhor maneira de um paciente receber esse tipo de notícia não é abrindo um envelope, sozinho.
Uma alternativa proposta pelo vice-presidente executivo da American Medical Association é que os resultados dos exames venham acompanhados de um aviso que diga aos pacientes que procurem seus médicos de confiança para obter ajuda na interpretação dos dados, bem como explicitando as limitações dos testes de laboratório em termos de diagnosticar doenças sem a interpretação de um profissional que considere mais fatores de cada caso.
Fonte:http://www.scientific.com.br/2011/12/20/pacientes-devem-ter-acesso-direto-a-resultados-de-exames-laboratoriais/

9 comentários:

  1. Para avaliar um diagnóstico, há necessidade de avaliar o paciente em duas abordagens diferentes. A primeira está mais limitada ao paciente quanto a descoberta da existência da doença. A outra está voltada para uma visão mais global, ampla, que inclui aspectos social, biológico e emocional do paciente. O paciente, ao ler um resultado de exame laboratorial, geralmente, não tem conhecimento suficiente para fazer ambas as abordagens. Muitos pacientes tendem a se isolar, desenvolvendo pensamentos ligados a morte e prejudicando sua autoestima, quando descobrem resultados ruins. Por mais que ele tenha o direito ao resultado do exame, é necessário que seja feita uma conscientização de que ele precisa avaliar esse resultado juntamente com o médico. Assim, será mais fácil de dar amparo ou de evitar possíveis enganos no diagnóstico. http://www.psicologiananet.com.br/dificuldades-do-paciente-ao-receber-o-diagnostico-de-que-esta-com-cancer/2272/

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  2. No ponto de vista jurídico e pessoal, o paciente deve ter o direito ao exame, enfim ele é de sua propriedade. Porém, deve-se ter cautela, orientando-o e enfatizando sobre a importância de conversar com o médico sobre os devidos resultados. Para isso, tanto o médico, profissionais de saúde e o laboratório devem ser a mola mestra para as suas indagações e, assim, diminuindo a ansiedade, passando segurança e conforto a cerca das possibilidades do exame.

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  3. De fato, é até inconstitucional negar ao paciente o resultado de seus exames, pois é algo que lhe é referente e não ao médico! Porém, a má interpretação dos resultados e o abalo da relação médico-paciente deve ser evitada ao máximo, pois isso pode interferir até na continuidade e na adesão do paciente ao tratamento. Não creio que somente o aviso sugerido: "Procure seu médico de confiança para obter ajuda na interpretação dos dados" seria o suficiente, primeiro, porque ao abrir o envelope e o exame indicar alguma alteração fora do padrão das taxas de normalidade, o paciente já acreditará que está doente e mesmo que o médico diga o contrário a relação médico-paciente já está abalada, segundo, não é cultura do brasileiro ter um médico de confiança, o que já o faria acreditar primeiramente no resultado antes de acreditar num médico, a relação médico-paciente no brasileiro é uma relação frágil. Creio que o ideal mesmo seria a criação de um sistema que enviasse o resultado ao médico que o solicitou, ele desse o seu parecer, como se fosse o laudo do exame, e então ele fosse entregue ao paciente ou em um segundo caso, levar a conscientização de que não obrigatoriamente estar fora dos padrões de normalidade signifique estar doente, o que pode ser uma faca de dois gumes!

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  4. Para evitar um entendimento errôneo da leitura dos resultados dos exames por meio dos pacientes, seria interessante em casos de "não normalidades" comentários pertinentes de um médico ou algum outro profissional capacitado, afim de atenuar o impacto da notícia ou até mesmo mostrar relativa insignificancia desse mesmo resultado por si só.

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  5. Alguns pacientes sentem-se culpados por apresentarem um exame já aberto ao seu médico, assim como alguns médicos se aborrecem diante da ansiedade de alguns pacientes. O que ocorre é que os laudos dos exames são feitos para uma interpretação médica e não uma interpretação de leigo, ou seja, de um não médico. Mesmo aquelas explicações que acompanham o resultado de alguns exames é para o médico não especialista e não para o paciente, que vai abrir seus exames e, provavelmente, não interpretar por completo.

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  6. Já que os exames são propriedades do paciente e ele tem direto a recebe-los, uma forma de impedir que o paciente não se desespere ao ler um exame, seria colocar profissionais psicólogos nas clínicas e hospitais, para que eles expliquem os exames e tentem acalmar os pacientes em caso de doença detectada. Encontrei um texto que explicita essa ideia, baseada em uma psicóloga que assume esse papel com pacientes com Aids. Segue o link.
    http://acritica.uol.com.br/manaus/Psicologa-FMT-revela-contar-paciente_0_1043295680.html

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  7. Interessante ver a complexidade desse tema. O exame é relacionado ao paciente. A melhor forma disso se resolver eu continuo achando é na vinculação forte entre o paciente e o médico. Realmente todos nós temos alterações de alguma forma, aliás, isso nos torna pacientes únicos, mágica da vida, assim, temos problemas e soluções para qualquer uma das ações propostas. Se o exame for para o médico, quanto tempo ele demorará a dar a resposta ao paciente? Qual a carga extra de trabalho que recairá sobre o médico? Como resolver a ansiedade do paciente? Por outro lado, se o exame é pego pelo paciente, vai saber o que ele é capaz de fazer com esse resultado?
    Para mim, acho que seria bom o paciente ter o exame, mas muito vinculado ao médico, de forma que ele sinta segurança em ir discutir os resultados e as ações a serem tomadas em conjunto.
    Abraços.

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  8. Certamente, a discussão acerca da entrega de resultados aos pacientes ou não é extremamente complexa. Principalmente, porque caso o exame seja entregue primeiro ao médico, isso geraria muita demanda ao profissional, sendo inviável operacionalmente. No entanto, caso exame seja entregue primeiro ao paciente, isso geraria ansiedade desnecessária. Ideal seria enfatizar a importância da da interpretação do médico a toda a população.



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  9. Para mim, o direito do paciente de receber diretamente o resultado de seus exames é algo incontestável. Porém, o estresse e a angústia que podem causar a interpretação precoce e sem acompanhamento médico de tais exames também é algo preocupante. Nota-se portanto, que uma boa relação médico-paciente, de modo que este realize sempre o retorno das consultas, para mostra do exame e diagnostico adequado pelo médico se faz a melhor solução, evitando até estresses e angústias desnecessárias,

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