domingo, 1 de junho de 2014

Reportagem do Jornal Hoje sobre interpretação precipitada de exames

Pacientes devem ter cuidado ao interpretar exames

Eles têm o direito de olhar o resultado antes de apresentá-lo ao médico, mas não devem se precipitar para não se confundir com o laudo.


O paciente tem o direito de olhar o resultado de exames antes de voltar e apresentá-los ao médico. Alguns médicos dão bronca porque há pacientes que ficam interpretando o resultado. Mas o exame é do paciente e ele pode e tem o direito de abri-lo, só é preciso muito cuidado na hora de interpretá-lo, papel que cabe ao médico. 

Em São Paulo, para garantir esse direito, um laboratório passou a gravar os laudos em áudio para que os pacientes cegos possam saber o resultado sem ter que pedir ajuda. 

A voz da médica lendo o resultado do exame é gravada. Ela não comenta os dados, apenas reproduz o que está escrito. O laudo em áudio é gravado em um CD para o paciente. A novidade é de um laboratório paulista que faz, em média, 1,7 milhões exames por mês. 

“A nossa intenção era a inclusão social, era dar a oportunidade ao paciente que tem uma deficiência visual de ter acesso aos seus laudos de uma forma individual, sem depender de ninguém para ajudá-lo a fazer essa leitura”, explica a patologista clínica do laboratório Delboni, Ana Letícia de Aquino Daher. 

Ter acesso aos resultados dos exames é um direito de cada um, mas os médicos dizem que os pacientes mais curiosos precisam ter cuidado. A interpretação dos laudos é importante e deve ser feita por um especialista. 

Gustavo Santos da Silva, de 22 anos, como muitos pacientes, costuma abrir e ler os laudos, mas não conta para o médico. “Quando você abre sem rasgar o adesivo e depois fecha, eu acho que nem ele mesmo percebe que foi aberto. É um pouco de malandragem”, afirma. 

Nem precisa de malandragem. O doutor explica que o exame é do paciente e não do médico. Portanto, ele pode abrir quando quiser. “Ele te traz os exames apenas para a sua consulta. O exame é dele, ele é o proprietário do prontuário, assim como ele proprietário dos exames que ele fez”, explica um médico. 

Dependendo do tipo de exame e do grau de ansiedade, o publicitário Fernando Ciavolella abre o laudo antes de ir ao médico. “Acho que tem que ser curioso sim, pesquisar e saber o que significa, as consequências, enfim, que é bom para a gente”, acredita. 

Não há mal algum em tentar entender os exames, mas tem paciente que se confunde. “Ele não entende, se o negativo, é bom ou ruim para ele ou, se o positivo, é bom ou ruim para ele. Isso pode gerar um sofrimento enorme para esse paciente, que não tem preço e não tem razão. Olhar um exame não é só você ler o laudo. Você tem uma interpretação associada ao quadro que o seu paciente lhe trouxe”, defende o clínico geral Milton Glezer.

8 comentários:

  1. Primeiramente, a ideia do áudio para deficientes visuais é muito interessante, pois é um direito deles que lhes é garantido. Quanto à leitura de laudos de exames antes do médico, acho q seja perfeitamente normal. Todos nós, conhecendo ou não os termos médicos, temos curiosidade de saber o que se passa em nosso corpo. Lógico que é preciso ter consciência que a interpretação do médico que é definitiva e que você pode estar interpretando o exame de forma errônea. Uma ideia para evitar ansiedade e medos ao ler os laudos, seria uma orientação dada aos pacientes, nos laboratórios que esses exames são feitos, de modo que eles expliquem aos pacientes as implicações de ler um laudo antes do médico.

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  2. A leitura de exames é uma ótima forma de inclusão social. Outra forma de incluir socialmente os deficientes visuais seria na disponibilização dos laudos em braille que auxiliaria na leitura individual. Todos temos certa curiosidade em saber os resultados de exames. Dar essa oportunidade para pessoas com algum tipo de limitação, é um passo positivo no desenvolvimento da cidadania.

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  3. A questão apontada aqui no texto é muito interessante, pois defende o direito do paciente sobre o prontuário como também aborda as possibilidades de um erro na interpretação do paciente, levando-o a um sofrimento antecipado. Mas, geralmente, o que ocorre é que essas pessoas ficam ansiosas pelo resultado do exame e procuram pessoas ( profissionais de saúde) para entender o que o laudo relata, podendo ocorrer uma falha na interpretação, pois o profissional não sabe o contexto do exame.

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  4. Acho que tentar lutar contra a apresentação do resultado ao paciente a essa altura do campeonato é tentar resolver um problema criando um outro problema. Já que a apresentação dos resultados ao paciente antes do visto do médico é uma prática já considerada usual no contexto da saúde no Brasil, deveria-se então analisar medidas para facilitar o entendimento dos mesmos pra pessoas desfavorecidas, seja por seu grau escolar superficial, seja por alguma deficiência física ou mental. Em outras palavras, seria interessante estimular a inclusão social dos resultados de exames.

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  5. Tentar controlar se o paciente deve ou não interpretar seus exames antes de mostrá-los ao médico está além da influência de qualquer profissional da saúde. Se o paciente tiver curiosidade não há como impedi-lo de ler o laudo e os prejuízos que a falta de conhecimento técnico para interpretação podem lhe causar são de responsabilidade dele próprio, resultados de sua escolha.

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  6. Hoje, com o acesso facilitado a informações sobre doenças graças à internet, a maioria da população tem como costume pesquisar sobre resultados de exames e a partir daí tirar conclusões precipitadas. Tais conclusões somente geram ansiedade nos pacientes e às vezes dificultam o trabalho do médico, por isso, seria interessante que a população fosse conscientizada de que o laudo apresentado no exame não se trata de um diagnóstico definitivo, enfatizando a importância da clínica na escolha de qualquer tratamento.

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  7. Muitos pacientes precipitam-se ao lerem os resultados de seus exames e algumas vezes deixam ate de dar o retorno ao médico já que seus examens deram negativos, por exemplo. Ou então ja vao ao médico com o diagnóstico pronto. Uma das funções do médico é saber impor seus conhecimentos de uma forma não autoriatária de modo que o paciente confie nele e saiba da importância da interpretação dos resultados pelo proprio medico, que é a pessoa mais adequada a isto.

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  8. O direito de ler o seu próprio exame é sim um direito do paciente, afinal, como muito bem colocado pelo médico patologista, o resultado pertence ao paciente e não ao médico. Porém, o problema de se olhar exames antes do médico, é a consulta prévia que o paciente faz ao boca-a-boca e à internet, na maioria das vezes, nem um pouco confiáveis e geradoras de ansiedade desnecessárias, que muitas vezes recaem sobre as palavras que médico pode vir a usar para tranquilizar o paciente, na forma de descrédito!

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