Vivemos tempos de grande avanço tecnológico.
Com todas as vantagens da globalização, verificamos, ao mesmo tempo
entristecidos, o distanciamento entre as pessoas. Assim como em nossa
vida particular, este distanciamento ocorre no campo profissional e
também nos consultórios e hospitais. Cada vez é mais comum ver
médicos e pacientes dando lugar a números, exames e diagnósticos
tornarem-se códigos, e a comunicação perder sua essência.
Aquele médico de família, que acompanhava
todos os seus integrantes ao longo de suas vidas, não existe mais.
Ou restam pouquíssimos. Hoje temos um estranho avaliando outro
estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente,
nunca mais se encontrarão. É de se lamentar...
Vivemos tempos de grande avanço tecnológico.
Com todas as vantagens da globalização, verificamos, ao mesmo tempo
entristecidos, o distanciamento entre as pessoas. Assim como em nossa
vida particular, este distanciamento ocorre no campo profissional e
também nos consultórios e hospitais. Cada vez é mais comum ver
médicos e pacientes dando lugar a números, exames e diagnósticos
tornarem-se códigos, e a comunicação perder sua essência.
Aquele médico de família, que acompanhava
todos os seus integrantes ao longo de suas vidas, não existe mais.
Ou restam pouquíssimos. Hoje temos um estranho avaliando outro
estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente,
nunca mais se encontrarão. É de se lamentar.
Entretanto, parece que, aos poucos, tanto os
profissionais de medicina, como pacientes, vêm repensando conceitos.
Constatam que nada substitui o tratamento humanizado, nada é mais
importante do que o médico que tem nome e rosto e que conhece o nome
e o rosto de seu paciente.
É tempo de recuperar nossas raízes, de
resgatar do bom e velho médico, e suas principais qualidades sem, é
claro, abrir mão de toda a modernidade a que temos direito. O
resgate da humanização tão bem inserida naquele contexto de
antigamente, deve pautar sempre a prática da medicina, com principal
objetivo de oferecer assistência digna e de qualidade à população.
Seja da rede pública ou privada, o médico
necessita de tranquilidade e deve ter todas as ferramentas
necessárias para um atendimento no qual possa oferecer o melhor do
seu conhecimento, toda a sua atenção e, principalmente, todo o seu
respeito. Ele precisa de tempo suficiente para conhecer o paciente,
descobrir suas queixas, averiguar seu passado, seus anseios e
angústias, e fazer com que saia aliviado, com perspectiva de ter seu
problema encaminhado.
Enfim, queremos ver novamente o paciente
confiando sua saúde com a mesma tranquilidade que confiávamos
antigamente. Ainda não é o que acontece na maioria dos casos. Em
parte porque este profissional vestido de branco não dispõe de
tempo de condições adequadas ao aprofundamento da relação com seu
paciente. Pior, é pressionado por todos os lados. Na saúde pública
pelas filas intermináveis, falta de equipamentos etc. Na rede
privada, são as pressões das operadoras de planos de saúde, baixa
remuneração e o constante descredenciamento da rede conveniada que
frequentemente engessam o médico nas suas atividades.
A insegurança comum a médicos e população
gera, não apenas atraso em diagnósticos ou tratamentos, como também
traz consequências por vezes desastrosas. Ou seja, com todos os
avanços, equipamentos de última geração e descobertas, temos hoje
um dos piores cenário que este país já conheceu no sistema de
saúde.
A medicina é humana em sua essência, feita de
humanos para seres humanos. Não é possível mais assistir à sua
fragmentação em duas medicinas - uma para os pobres e outras para
os ricos. Dar e receber assistência médica de qualidade e
universal, mais do que um anseio, é um direito de todos.
Antonio
Carlos Lopes é Presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica
Artigo
publicado em 11/05/2011no jornal Acorda Pará
Artigo
publicado em 14/05 no Diário Catarinense
Saber ouvir, sentir e dar a devida atenção são ações necessárias na arte de cuidar. Aliviar um sofrimento faz parte do tratamento, pois não se trata apenas de uma patologia, mas de um ser dotado de sensações psíquicas, de sentimentos. É preciso saber respeitar o paciente. A humanização jamais deveria ser desassociada da arte médica, na clínica, principalmente, são ações intrínsecas.
ResponderExcluirA humanização na relação médico-paciente deve ser iniciado na escola médica. Ao invés de várias teorias patológicas e supervalorização do ser médico, a arte de educar seria baseada nas fragilidades humanas e como lidar com cada uma delas. A fragmentação dos propósitos da medicina são instituídos em sua base, na forma como lida com esses futuros profissionais, orientando-os de forma peculiar sem direcioná-los para a realidade que serão enfrentadas. Logo, ser médico é ser alguém, é ter medo e sentimentos iguais a todos humanos e explorar essas emoções é uma maneira de humanizar. Não é á toa que os consultórios psiquiátricos estão "cheios" de acadêmicos de medicina, pois vivenciamos uma educação refratária, de pressão, ausente de vínculos do ser humano com o ser médico. Assim, como irão enxergar seus pacientes? E nessa onda consumista, qual sua posição para manter um padrão social aceitável?
ResponderExcluirConcordo plenamente com autor do texto, principalmente no trecho em que ele diz " Seja da rede pública ou privada, o médico necessita de tranquilidade e deve ter todas as ferramentas necessárias para um atendimento no qual possa oferecer o melhor do seu conhecimento, toda a sua atenção e, principalmente, todo o seu respeito. Ele precisa de tempo suficiente para conhecer o paciente, descobrir suas queixas, averiguar seu passado, seus anseios e angústias, e fazer com que saia aliviado, com perspectiva de ter seu problema encaminhado.", Hoje os médicos muitas vezes fazem os seus atendimentos em um ritmo "industrializado". Faltam atenção e tranquilidade aos profissionais. Além disso, as faculdades de medicina desumanizam o aluno, uma vez que este tem pouco contato com a comunidade.
ResponderExcluirA humanização é um assunto muito tratado no Brasil atualmente. No entanto, ainda é uma realidade bem distante para nós. O médico que conhece o paciente, agindo em todas as áreas e se tornando próximo do paciente, a ponto de conhecer seus hábitos alimentares por exemplo, são muito raros e precisam ser resgatados. No sistema de saúde que vivemos, com as UBS, por exemplo, não faz sentido os médicos não serem próximos aos pacientes, não é coerente com esse modelo proposto. Assim. medidas impostas no sentido de melhorar a relação dos profissionais de saúde com os pacientes são exttremamnte importantes, para o devido funcionamento da saúde no país.
ResponderExcluir"Hoje temos um estranho avaliando outro estranho - em apenas alguns minutos de curto diálogo, provavelmente, nunca mais se encontrarão. É de se lamentar..."
ResponderExcluirInfelizmente, com a especialização cada vez maior do profissional da medicina, realmente tem se tornado quase que impossível um vínculo de confiança/segurança na relação médico-paciente. Temos então realmente o que é retratado no trecho destacado acima. A humanização realmente é um assunto fundamental e que deve ser repensada de imediato e se possível ainda na formação do profissional, que tem se preocupado apenas na resolução do problema como um robô, e tem esquecido que do outro lado da mesa do consultório há um humano com todas suas falhas e sentimentos.
A humanização tem sido estudada no âmbito da saúde visando proporcionar um tratamento que leve em conta a totalidade do indivíduo. A humanização em saúde pode ser definida como o resgate do respeito à vida humana, levando–se em conta as circunstâncias sociais, éticas, educacionais, psíquicas e emocionais presentes em todo relacionamento. Por exemplo, ao se falar do momento diagnóstico de uma deficiência acredita–se que a humanização torna–se importante, pois estudos apontam que a atitude do profissional frente à família pode amenizar o choque causado pela notícia. É preciso que haja uma busca para um atendimento humanizado e não massificado tanto no sistema privado de atendimento à saúde quanto no público.
ResponderExcluirFonte: Psicologia, teoria e pratica. v.6 n.2 São Paulo dez. 2004
Em todo o processo diagnóstico e terapêutico, a familiaridade, a confiança e a colaboração estão altamente implicadas no resultado da arte médica. A humanização da medicina, em particular da relação do médico com o paciente, é importante para o reconhecimento da necessidade de uma maior sensibilidade diante do sofrimento do paciente. Esta proposta, em relação a qual várias outras convergem, aspira pelo nascimento de uma nova imagem profissional, responsável pela efetiva promoção da saúde, ao considerar o paciente em sua integridade física, psíquica e social, e não somente de um ponto de vista biológico. Contemporaneamente, a relação médico-paciente tem sido focalizada como um aspecto chave para a melhoria da qualidade do serviço de saúde e desdobra-se em diversos componentes, como a personalização da assistência, a humanização do atendimento e o direito à informação, tratados através de temas como o grau de satisfação do usuário do serviço de saúde.
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